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15|MAI

2015

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“Não criámos o problema financeiro, mas coube-nos o encargo de o resolver. E, agora, o de garantir que nunca mais se volte a repetir.”

Depois do anúncio do acordo de coligação e a sua posterior ratificação pelos órgãos respectivos dos dois partidos, CDS e PSD. A folha CDS entendeu que seria pertinente fazer uma entrevista ao presidente do CDS, Dr. Paulo Portas. Como ponto de partida para um período de pré-campanha eleitoral pareceu-nos a melhor forma de clarificar um “espirito de compromisso” que o partido sempre assumiu enquanto parte da opção mais credível para um Governo de Portugal.

 

Folha CDS - Como foi governar com a troika em Portugal?

 

Paulo Portas: Quando, logo em 2011, referi a situação de intervenção externa como a de um “protetorado”, houve quem criticasse que isso era indigno para um país… À medida que o tempo passou, que se ouvia o sindicato de credores dizer o que tínhamos ou podíamos fazer, penso que se percebeu que indignidade foi o País chegar ao ponto em que tivemos de pedir assistência, e não lutar para sair dela.

Por isso, falei abertamente em “co-governo com os credores” e em “vexame nacional”. Por isso, também, o CDS deu toda a prioridade a que Portugal saísse do programa de assistência no primeiro momento contratualmente possível.

Foi difícil, como é público, e foram, na primeira fase, “anos de chumbo”, de decisões duras e de grande sacrifício para todos os portugueses. Foi preciso lutar por cada vírgula, cada cêntimo, cada oportunidade, cada contrariedade.

Mas valeu a pena, porque ainda há um ano eram muitos os que desconfiavam que teríamos uma “saída limpa”, sem programa cautelar. Há um ano e meio, recordo que não foram poucos os que proclamavam que teríamos um segundo memorando e pediram mais tempo e mais dinheiro – ou seja, mais dívida e mais troika. Conseguimos o que muitos não acreditavam.

Mas quando digo “conseguimos”, não falo do governo ou dos partidos ou dos políticos. Falo de todos – as famílias que fizeram sacrifícios, para ultrapassar as dificuldades; os trabalhadores, que souberam fazer acordos para evitar alternativas piores; os empresários que souberam arriscar, para ganhar novos clientes e voltar a crescer; a classe média, tanto entre os activos como entre os aposentados, que suportou o precipício financeiro com que nos deixaram em 2011 e, também, constrangimentos que surgiram, como decisões constitucionais. Felizmente, ultrapassámos a emergência e pudemos garantir com justiça, e gradualmente, a recuperação do poder de compra e a moderação fiscal.

 

FCDS - Esta é a primeira coligação a chegar ao fim de uma legislatura. Acha que o factor estabilidade é fundamental para a governação?

 

PP: Esta é de facto a primeira coligação a terminar uma legislatura e prova que Portugal é governável em coligação. Prova que existe uma cultura de compromisso, Não raro é preferível e possível ter duas opiniões e chegar a um acordo que, por isso mesmo, é uma solução melhor. A coligação pode oferecer um governo maioritário e credível, facto que não sucede à esquerda.

Quanto à estabilidade, é fundamental. Mais do que para a governação, para Portugal – para quem trabalha, para saber com o que conta, para quem investe, para saber em que vale a pena apostar, para os nossos parceiros internacionais, para gerar e manter confiança.

 

FCDS - Os membros do Governo do CDS, têm-se destacado pela positiva nesta legislatura, a “Marca CDS” fez a diferença?

 

PP: Em primeiro lugar, o bom espírito, numa coligação, é somar contributos, não é contar bandeiras. Mas isso não quer dizer que o CDS não possa ter muito orgulho em quem nos representa e representou no governo.

Temos tido responsabilidades em áreas que contribuem muito para o País crescer. Na economia, estimulando fortemente o investimento e as exportações, apoiando o esforço extraordinário na internacionalização dos nossos empresários. Também no turismo, simplificando, reduzindo custos de contexto, inovando na promoção, em verdadeira parceria com o sector privado. Trabalhámos com os nossos parceiros em reformas tão importantes como o IRC e o quociente familiar no IRS. Insistindo na promoção do Mar, como destino e oportunidade estratégica económica. É com orgulho que olhamos para a revalorização da Agricultura, a eficácia no PRODER, os pagamentos em dia certo – tudo ao contrário do que sucedia no tempo dos socialistas. O mesmo orgulho com que vemos a protecção dos mais pobres – por exemplo os que recebem as pensões mínimas, sociais e rurais -, a contratualização, sem precedentes, com as IPSS e as políticas activas de emprego que contribuem para reduzir o desemprego. E poderia continuar… Mas repito: a vantagem de uma coligação é representar mais valores, mais ideias e mais contributos, diferentes na génese mas que, no final, representam um todo.

FCDS - Depois de aprovada a coligação pelos órgãos do partido, tem alguma mensagem mais directa aos militantes? E aos eleitores em geral?

 

PP: Peço a todos que se empenhem. Não criámos o problema financeiro, mas coube-nos o encargo de o resolver. E, agora, o de garantir que nunca mais se volte a repetir. Já chega, nos últimos 40 anos, ver o FMI em Portugal três vezes.

É isto que está em causa – um Portugal soberano e em crescimento.

Juntos, conseguimos terminar um só Memorando, sem pedir mais tempo, mais dinheiro, mais dívida. Juntos, conseguimos uma “saída limpa” do programa da troika. Juntos, vamos sair do procedimento por défice excessivo. E, juntos, já estamos a antecipar o pagamento do que devemos ao FMI, porque conseguimos credibilidade para nos financiarmos em mercados a juros bem mais baixos.

 O CDS e o PSD são e serão partidos diferentes. E isso não é um problema, é uma mais-valia, porque o que está em causa é mais importante do que a soma das parcelas. É um agregar de vontades e de experiências, juntos para vencer as eleições e garantir que, mais que os próprios partidos, o nosso país continua no caminho do crescimento.

 

FCDS - Está presente nesta coligação o espírito mobilizador da primeira AD?

 

PP: As personalidades são, obviamente, irrepetíveis.

Na primeira AD, motivou-nos uma ideia de um Portugal livre dos excessos do PREC, da modernização e normalização de um país que queríamos europeu, e não soviético ou colectivista.

Nesta coligação, que vai continuar, motiva-nos a vontade de um País responsável e soberano, livre de credores e de crises causadas por promessas e gastos que não temos como pagar. Um País que pediu ajuda para sobreviver, que manteve a sua palavra e soube fazer reformas, estruturais, para nunca mais voltar à mesma situação.

O que nos juntou foi muito mais que uma necessidade, foi o querermos um Portugal livre de volta.

FCDS - Quais os desafios mais importantes que a coligação tem pela frente para os próximos 4 anos?

 

PP: Portugal passou por um período de excepcionalidade, e estamos agora, felizmente, na transição para um ciclo de normalidade.

Assim, os objectivos são: consolidar o crescimento da economia que terá de ser, dentro das circunstâncias internacionais, mais forte. Porquê? Porque precisamos de fazer três coisas: baixar o desemprego - que continua demasiado alto -, diminuir, progressivamente, a carga fiscal e cumprir o serviço da dívida.

Para o conseguir, temos de apostar na competitividade. Porque, numa economia global, quem não se adapta, fica para trás. E Portugal tem de continuar a atrair investimento, nacional e estrangeiro, porque essa é a alavanca do emprego. É por isso que a fiscalidade, que é tão relevante para o País como o é para as famílias, é um desafio central, e daí a importância de continuar a reduzir o IRC, apoiar mais o investimento que inova e aposte no interior, contratualizar mais projectos de investimento. Portugal voltou ao GPS dos países em que se pode investir em segurança e vantagem. É um erro de escala nacional pôr isso em causa.

FCDS - Qual será a marca fundamental do CDS num programa eleitoral conjunto?

 

PP: Estamos a trabalhar na construção de um programa a dois, atento aos contributos dos independentes. Em tempo, cumprindo uma aspiração antiga, o CDS pôs a funcionar um Gabinete de Estudos permanente. O seu contributo será importante. Parece-me crucial que o CDS, por um lado, preste contas; por outro, contribua com ideias de futuro, para um ciclo novo. Os cidadãos têm justificadamente muito receio que o PS deite a perder tudo o que conseguiram para sair do precipício financeiro. São demasiados os exemplos de que o PS não aprendeu a lição de 2011. Por outro lado, os cidadãos esperam de nós não a mera explicação do que sucedeu, mas um projecto sustentado de futuro, virado para a frente. É nisto que trabalhamos.

Relembro as prioridades já anunciadas pela Assunção Cristas: o crescimento económico, a diminuição do desemprego, a fiscalidade, a natalidade, o envelhecimento activo e a segurança social.

 

FCDS - Presidenciais, quando falará o CDS?

 

PP: Devemos tratar dos assuntos pela sua ordem natural. Ora, as presidenciais vêm depois das legislativas. Tenho pedido aos dirigentes do CDS que só abordem esta matéria depois das legislativas, concentrando-se nestas. Não lhes peço que não tenham opinião, isso seria absurdo num partido democrático; o que lhes peço apenas é que, de preferência até às legislativas, guardem certa reserva sobre o tema.

 

FCDS - O que prevê que seja o futuro da coligação agora renovada?

 

PP: Numa só palavra: vencer!

 

 

 

 

"Os cidadãos têm justificadamente muito receio que o PS deite a perder tudo o que conseguiram para sair do precipício financeiro".

“Precisamos de fazer três coisas: baixar o desemprego - que continua demasiado alto -, diminuir, progressivamente, a carga fiscal e cumprir o serviço da dívida. “

 

“O CDS e o PSD são e serão partidos diferentes. E isso não é um problema, é uma mais-valia, porque o que está em causa é mais importante do que a soma das parcelas.”

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