﷯ folhacds 2 ANOS // 7 MARÇO 2017
CDS na defesa do património natural e cultural -

A vice-presidente do Grupo Parlamentar do CDS Açores, Graça Silveira, criticou, esta sexta-feira, “a falta de vontade política” e “o desprezo do Governo Regional pelos Faialenses”, acusando os socialistas de “desrespeito à Assembleia” por nunca terem iniciado o processo de recuperação da Trinity House, na cidade da Horta, para instalação de um núcleo museológico dos cabos submarinos.

 

Numa conferência de imprensa, junto à antiga estação de cabografistas da horta, Graça Silveira anunciou a entrega de “mais um requerimento ao Governo Regional” para ver esclarecido quando “é que finalmente vai avançar a intervenção na Trinity House, o que é que foi feito em termos de inventariação e classificação de 14 elementos arquitetónicos que constituem o ‘Roteiro das Comunicações’ e o que é que o Governo pretende efetivamente fazer com os míseros 10 mil euros que alocou a esta medida para 2017”.

 

“Na primeira metade do século XX, pela influência das várias companhias de cabos submarinos que aqui se instalaram, a Horta tornou-se uma cidade verdadeiramente cosmopolita, precursora da sociedade global em que vivemos hoje. A verdade é que não podemos continuar apenas a lembrar a Horta que fomos e que já não somos. É fundamental capitalizar este património histórico de valor indiscutível e, neste sentido, o CDS apresentou uma proposta para a criação do Espaço Museológico da Horta dos Cabos Submarinos, aqui, na Trinity House, que incluía o ‘Roteiro das Comunicações’, com 14 elementos arquitetónicos, que alarga o museu ao espaço urbano envolvente, onde se desenvolveu o universo das comunicações na cidade da Horta, que, começa na Alagoa, onde foi amarrado o primeiro cabo, passando pelas instalações da companhia alemã, conhecida pela “colónia Alemã”, o bairro residencial da Western Union, hoje o Hotel Fayal, entre outros”, afirmou.

 

Prosseguiu a parlamentar do CDS Açores completando que “infelizmente esta é mais uma das iniciativas do CDS que foi aprovada e que nunca chegou a ser implementada. É inadmissível que passados 3 anos e 3 orçamentos com verba aprovada para esta medida, não tenha sido feito rigorosamente nada, numa atitude de completo desrespeito pelo nosso Parlamento que aprovou a iniciativa e devotando ao desprezo, uma vez mais o Faial e os Faialenses”.

 

A deputada Graça Silveira denunciou ainda que, “em 2017, quando finalmente se esperava que o Governo fizesse alguma coisa, esta medida, que no Plano de Investimentos de 2016 tinha uma dotação de 75.000 euros foi reduzida para apenas 10 mil euros”, provando-se, para o CDS, que “mais uma vez não se vai fazer nada”. Aliás, lamentou, este “pequeno investimento público com grande retorno económico para o Faial” é também a prova de que “quando há vontade política para fazer encontram-se soluções, mas quando não há vontade política para fazer arranjam-se desculpas”.

 

A vice-presidente da bancada parlamentar democrata-cristã, liderada por Artur Lima, registou ainda que “numa altura em que sector do Turismo representa cerca de 40% das exportações dos Açores, sendo a única indústria com verdadeiro potencial de crescimento, nos próximos anos, o CDS considera crucial e estratégico a criação deste espaço museológico, que é um pequeno investimento com um enorme retorno, não só em termos de oferta turística, como na criação de emprego, que o Faial e os Faialenses tanto precisam”.

 

Por seu turno a deputada do CDS Açores, Catarina Cabeceiras, entregou no Parlamento Açoriano, um Projeto de Resolução onde pede “urgência” ao Governo Regional na empreitada de eletrificação da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, na ilha de São Jorge, apelando assim também ao “cumprimento das promessas de investimento público que se tem vindo a perpetuar no tempo”.

A deputada popular, eleita pela ilha de São Jorg,e lembra que, para além de um antigo compromisso socialista, a eletrificação do ex-libris das fajãs é “uma aspiração e necessidade da população que habita ou procura aquele lugar único nos Açores”, pelo que recomenda ao Governo que avance rapidamente com a empreitada.

 

No Projeto de Resolução, Catarina Cabeceiras frisa que “atendendo à importância da preservação deste património é, indiscutivelmente, necessário implementar, de forma eficaz, uma estratégia global com objetivos e linhas de ação concertadas, preservando o ambiente, a cultura e as tradições da Fajã da Caldeira de Santo Cristo e garantindo, assim e de modo sustentável, a qualidade de vida neste local”.

 

Sustenta que “para o cumprimento de tal desiderato há muitos anos que se prometem investimentos públicos para aquele ecossistema, nomeadamente ao nível da eletrificação da Fajã, recorrendo-se à utilização de fontes de energia renováveis e alternativas”.

 

Acrescenta a parlamentar democrata-cristã que “até ao momento, nunca se procedeu à eletrificação da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, o que obriga à manutenção, praticamente, em cada habitação de um gerador individual, promotor da proliferação de ruídos e consumos de combustível que nada abona a favor da qualidade ambiental daquele local”.

 

O CDS Açores acentua que “os sucessivos Governos Regionais do Partido Socialista têm vindo a assumir, já desde há longo tempo, o compromisso político de proceder aos investimentos necessários e conducentes à eletrificação da Fajã, estando, aliás, tal compromisso vertido em Comunicados do Conselho do Governo (por exemplo, os de 2009 e 2013, após visitas estatutárias à ilha de São Jorge) ou mesmo inscritas verbas em vários Planos Anuais Regionais (pelo menos nas últimas duas Legislaturas), inclusive no Plano de Investimentos do ano transato (2016)”.

 

Reforça Cabeceiras que “tal compromisso foi também assumido por declarações do anterior Diretor Regional da Energia, quando apontou, primeiro, que a eletrificação da Fajã estaria concluída em agosto de 2015, e, posteriormente, tendo tornado público que, afinal, o prazo estabelecido para seu cumprimento seria até ao final do ano de 2016”.

 

A deputada Catarina Cabeceiras afirma que “já existe o entendimento de que tal investimento deve ser concretizado com recurso a energias renováveis, nomeadamente à utilização de recursos hídricos (aproveitando-se o fluxo de uma ribeira que termina o seu curso na Fajã), salvaguardando-se desta forma o ambiente e indo de encontro às diversas classificações de cariz ambiental já referenciadas”.

 

Assim o Grupo Parlamentar do CDS Açores entregou esta iniciativa que “recomenda ao Governo Regional que execute, com a maior urgência, a empreitada de eletrificação da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, na ilha de São Jorge, dando cumprimento às promessas de investimento público que se têm vindo a perpetuar no tempo e concretizando uma antiga aspiração e necessidade da população que habita ou procura aquele lugar único nos Açores”.

 

O CDS Açores completa ainda a informação relembrando que “A Ilha de S. Jorge tem mais de sete dezenas de fajãs que constituem um património natural, paisagístico e cultural único no contexto da Região, conferindo um enorme potencial de projeção no exterior e, se bem potencializado, indutor de geração de riqueza, sendo, sem dúvida, as fajãs um dos elementos incontornáveis da promoção turística da Região, enquanto destino Natureza. A Caldeira de Santo Cristo foi uma das primeiras Áreas Protegidas a serem constituídas na Região (1984), sendo, atualmente, detentora de várias classificações: Reserva da Biosfera da UNESCO; Zona RAMSAR e Rede Natura 2000.