﷯ folhacds 16 MAIO 2017

CONVERSAS DO CALDAS

VÍTOR VICENTE

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Vítor Manuel Macedo Bombico Silveira Vicente nasceu a 30 de dezembro de 1988, em Montemor-o-Novo. Licenciado e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Évora. Fez estágio no Parlamento Europeu e foi assessor de Relações Internacionais da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Foi Secretário-Geral Adjunto do CDS. Presidente da Concelhia de Montemor-o-Novo. Candidato pelo CDS à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.

Começámos a conversa com Vítor Vicente por algumas questões internacionais, nomeadamente europeias, aproveitando o facto do seu percurso académico ter sido direcionado para o estudo dessas matérias. A saída de um país membro da União Europeia como o Reino Unido, no processo conhecido como Brexit, não foi uma surpresa total para o nosso convidado. Vários indícios que analisou revelavam, na sua opinião, que isso pudesse acontecer. Desde logo a vitória reforçada de David Cameron nas eleições britânicas, com a promessa (cumprida) da realização do referendo, depois nas últimas eleições europeias várias forças políticas eurocéticas alcançaram um resultado significativo. Considera que a União Europeia já estava enfraquecida antes mesmo do processo de saída do Reino Unido, e que outros países estarão já preparados para um desmembramento. Deixou-nos duras críticas ao atual presidente da Comissão Europeia, cuja eleição até apoiou, em particular ao seu discurso sobre o estado da União, proferido recentemente em Florença. A intervenção de Jean-Claude Juncker, com a passagem do idioma do discurso do inglês para o francês, “não fez sentido nenhum”, no entendimento de Vítor Vicente. “Em negócios, em política, em termos associativos internacionais, é recorrente o uso do inglês”, remata o nosso convidado. É uma “crispação desnecessária” tratar desta forma um país que pertence a uma organização como a Commonwealth, de dimensão mundial, com relações privilegiadas com países de vários continentes, assim como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, frisa Vítor Vicente.

 

Vê mais vantagens na ótica do Reino Unido estar fora do que estar dentro, continuará a ter relações comerciais e políticas com muitos países da UE que lhe são próximos, é uma democracia antiga “que não recebe lições a esse nível de ninguém”, continuará a pertencer à NATO, têm sede ou presença no seu território grandes grupos económicos, uma moeda forte como a libra.

 

As recentes eleições presidenciais francesas foram também abordadas, de forma necessariamente breve, na nossa conversa.

Começa por dizer que os extremismos, quer à esquerda quer à direita são condenáveis, mas certos problemas atuais, com forte expressão em França, como atos terroristas, atos de violência e vandalismo levados a cabo por grupos sociais conotados com certas origens étnicas e/ou religiosas, geradores de insegurança, levaram os franceses a apostar mais eleitoralmente num partido como a Frente Nacional dirigido por Marine Le Pen. Da mesma forma que foi a maioria que quis que fosse Emmanuel Macron o novo Presidente francês e “há que respeitar as decisões dos eleitores”, reforça Vítor Vicente. Faz ainda menção da importância que vai revestir as eleições legislativas em França, sendo nessa altura que se vai perceber melhor se “o Partido Socialista morreu ou não, se a Frente Nacional receberá do povo um reforço em termos representativos, em que posição ficará o Partido Republicano, com que representação contará Emmanuel Macron e a força política que irá criar, se confirmará de forma maioritária a sua votação presidencial ou não”.

 

Desde novo, com 13, 14 anos, tem interesse por política, o gosto pelo debate político, e a nível familiar sempre se promoveu esse tipo de conversas, bem como uma proximidade ao CDS, tendo a mãe do Vítor sido militante da Juventude Centrista (JC). Apesar disso, nunca até um determinado momento tinha pensado aderir a um partido político. Quem foi determinante nessa mudança de atitude foi a Professora Maria Reina, militante do CDS, dirigente pertencente à Comissão Política Nacional. Foi sua professora no ensino secundário, bem como de outros membros do CDS e da Juventude Popular (JP) atualmente ativos em Montemor-o-Novo. Havia lugar a várias discussões nas aulas de projeto que afloravam questões de cidadania e de política, mas a passagem dos debates aos atos só aconteceu quando deixou de ser professora do Vítor Vicente. Não quis misturar a sua função docente com a participação político-partidária e só aí lançou o repto, já Vítor era estudante universitário. Em 2009, num café num monte alentejano surge a ideia da formação da JP em Montemor-o-Novo. Tinha havido JC há bastante tempo e até com sucesso em termos de adesão.

O convite formulado entusiasmou-os e acabaram por conseguir reunir um grupo que levou por diante essa intenção e esse projeto político.

 

Com a eleição formal da JP em Montemor-o-Novo surge desde logo bastante interesse por parte da juventude local na organização política. Por via desse crescendo foi também possível reativar o próprio CDS local. Dinamizaram a atividade política, intensificaram as participações da parte do público na Assembleia Municipal, colocavam questões ao presidente da Câmara, faziam ações de rua, emitiam comunicados. Contou-nos um episódio revelador: “fotografámos umas sarjetas entupidas e divulgámos esse problema no facebook, gerando reações localmente, ao ponto do próprio presidente da junta vir a público justificar o ocorrido com falta de pessoal para manutenção”. Marcaram presença na Feira da Luz com um stand próprio, entre outras iniciativas que davam sinais da vitalidade da JP e do CDS locais.

 

Vítor Vicente num Conselho Nacional da JP, presidida então por Michael Seufert, recebeu de forma inesperada o prémio Ricardo Medeiros, como forma de incentivo ao trabalho desenvolvido em terreno difícil no Alentejo. Vítor, surpreendido, na sua intervenção nessa ocasião faz um balanço positivo da JP em Montemor-o-Novo, do aumento da intervenção política e o crescimento do número de filiados.

Vítor quer que a sua terra natal seja mais aberta à iniciativa privada, que se desenvolva e que se criem mais oportunidades para os jovens. Em 2010 adere ao CDS, mantendo-se na JP. José Reis, o presidente da Concelhia do CDS à época adoece e não consegue continuar a dirigir o partido. Vítor é incentivado a candidatar-se e tomar as rédeas do CDS local. Achou que ainda era cedo, estava a frequentar o seu curso superior e pensou que não era o momento adequado para dar esse passo. Só mais tarde, em 2013, ano das últimas eleições autárquicas, acaba por aceitar o desafio. Para essas eleições chegou a haver negociações para uma possível coligação com o PSD, que acabou por não ir a votos. O PSD insistia em não estar recetivo à presença de militantes do CDS enquanto tal, muito menos em lugar dito elegível, propondo a integração das listas enquanto independentes. O CDS pela voz de Vítor Vicente assumiu o não entendimento e que iria por caminho próprio. Foram sozinhos a votos, apresentaram listas à Câmara e à Assembleia Municipal e a quase todas as freguesias do concelho, numa candidatura que foi a mais jovem do país em média de idades. O CDS passou a ter um deputado eleito na Assembleia Municipal e “as pessoas passaram a encarar o CDS com normalidade na política do concelho”. “Os montemorenses passaram a vir ter connosco com questões que queriam ver resolvidas no concelho, estradas em más condições, sarjetas entupidas, ruas sujas, entre tantos outros problemas locais. O deputado eleito António Xavier tem sido muito ativo com propostas ao longo dos quatro anos deste mandato, tornando-se fundamental na oposição”, constituindo o CDS um partido que está sempre no terreno e não apenas nos períodos eleitorais. “O PS com nove eleitos ficou claramente atrás”.

 

Vítor Vicente diz-nos que assumiu, novamente, o desafio de ser candidato pelo CDS à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, pois queria que “o trabalho tivesse continuidade e nós cumprimos dentro do que são os poderes de uma assembleia municipal”. “Sinto que o nosso grupo pode fazer diferente”, numa alusão clara ao mote desta campanha autárquica. “Tenho recebido muitas mensagens de apoio, até de pessoas que não esperava que apoiassem uma candidatura do CDS, e isso tem-nos dado muita força”, relata-nos entusiasmado.

“Se em 2013 demos uma lição a muitos políticos ao incorporar jovens com muito valor nas listas, agora estamos a dar lugar a outra prática de cultura de cidadania que rejeita a abstenção como solução”, exortando à participação de todos os eleitores de Montemor e que se juntem à candidatura do CDS que protagoniza. “Que todos contribuam de alguma forma para se fazer diferente”, remata. Para além de fazer diferente, refere-nos Vítor, é “fazer política pela positiva”.

 

Quanto a propostas programáticas o candidato nosso convidado sublinha a necessidade de combate ao envelhecimento populacional, sendo Montemor-o-Novo o terceiro concelho do distrito de Évora com a população mais envelhecida. “Se o concelho é o segundo mais populoso não está a conseguir um rejuvenescimento”, alertando para a criação de condições que poderão atrair ou fixar jovens naquele território alentejano em particular. A proximidade de Lisboa deveria intensificar a melhoria dos acessos e transportes, caso da estação e linha ferroviárias. Fala-nos da Torre da Gadanha, a estação renovada, e da linha eletrificada em 2012 mas que não está a funcionar nem a servir Montemor. Propõe que se pudesse atribuir uma comparticipação do passe mensal aos jovens que quisessem residir no seu concelho mas que diariamente se deslocam para trabalhar na zona de Lisboa, como de resto acontece em Vendas Novas. Tem consciência que não seria num mandato de quatro anos que os efeitos começariam a surgir mas se for pensado para uma década já poderá haver um registo de uma tendência positiva na adesão, para além de ser um “sinal de incentivo”. Com uma distância de cerca de 100 km a separar aquela cidade alentejana da capital do país, a viagem de comboio demorará cerca de uma hora, “tempo que muita gente demora, ou até mais, se morar em Sintra ou Cascais, a chegar a Lisboa para ir trabalhar de manhã, e outra hora para regressar à tarde. Mesmo para se percorrer distâncias dentro da própria cidade de Lisboa muitas vezes é o tempo que se demora”, indicando-nos a sua experiência pessoal quando residia na zona de Sete Rios e trabalhava no bairro da Lapa.

 

Outras medidas de que nos falou, ainda associadas a esta última, prendem-se com o facto de mais jovens residirem no concelho, tal poder vir beneficiar a construção civil local, o mercado de arrendamento, o consumo no comércio local e de bens e serviços públicos, designadamente fornecidos pelo próprio município, caso da água. “Os jovens de hoje em dia são mais qualificados do que os de gerações anteriores, o que poderá significar que ajudar a fixá-los, para além de se contrariar o envelhecimento populacional, poderá representar mais dinamismo e empreendedorismo na nossa terra”, destaca ainda o candidato Vítor Vicente.

 

Pretende ainda tornar Montemor-o-Novo na capital nacional da agricultura biológica. Na freguesia de Foros de Vale Figueira existe já o maior número de unidades de agroturismo do concelho, o que constitui um grande potencial, inclusivamente “para identificar uma marca que defina a terra”. “Vendas Novas tem as bifanas, Évora o turismo, Reguengos tem o vinho, Serpa o queijo, Moura tem o azeite, e em Montemor tem faltado o apoio político para criar de forma sustentada e continuada essa marca”. Pretende que não seja só uma terra de passagem, cuja localização geográfica favorece, mas que uma pessoa a tome como destino, com uma série de atrações que a tal marca ajudaria a estabelecer. Refere ainda que o concelho é o que oferece maior produção de pecuária, sobretudo de bovinos, pelo que “será extremamente útil conciliar a agricultura biológica com a agricultura extensiva e tornar isso numa marca”.

Vítor Vicente diz com orgulho, mas não sem alguma ironia, que “o CDS é em Montemor o banco de ideias dos outros partidos”. Defende neste mundo globalizado que Montemor tenha outra projeção no país e também internacional, defendendo acordos de geminação com outras cidades. Dá um exemplo ilustrativo “a autarquia de Montemor irá pagar em juros de mora cerca de 45 mil euros, enquanto que em apoios às famílias atribui 50 mil. Poderia em deslocações ao estrangeiro e a outras zonas do país, em viagens de promoção do concelho e das suas potencialidades económicas investir o que deveria poupar em juros”, menciona com indignação. “Não percebo que um ou uma presidente de câmara no mundo de hoje, globalizado, só pense em termos locais”, remata.

 

Falámos ainda de propostas para a área da cultura: “Montemor é um concelho com diversidade cultural, contudo, muitos eventos acontecem à mesma hora uns dos outros, competindo entre si e por vezes não têm a assistência que mereciam ter. Para isso, o CDS irá propor um Conselho de Cultura, composto pelas associações culturais devidamente constituídas no concelho, para que se organizem, não só na agenda cultural, mas também potenciem ao máximo as suas atividades.”, frisa Vítor Vicente. Prossegue e declara “Gostaríamos de potenciar a nossa cultura, apostando mais nas vertentes tradicionais e podendo até estudar a hipótese e viabilidade de um grande evento cultural em Montemor.”

 

No turismo, que considera “uma área fulcral para o nosso desenvolvimento”, alega “não compreender com o património de que dispõe o concelho, monumentos como as grutas do Escoural só se consigam visitar com marcação. Queremos mantê-las abertas e promove-las”. Outro aspeto fundamental do turismo, diz o nosso convidado, “é ter aberto ao domingo e aos feriados o Posto de Turismo, é fundamental este estabelecimento estar aberto nos dias em que há mais visitantes”.

 

No sector social uma preocupação grande num concelho com uma população envelhecida, conforme já mencionado, “o centro de saúde seja distante da zona onde habitam os mais idosos, a Santa Casa por seu turno tem dificuldade em chegar a muitas das pessoas e a Câmara Municipal ainda cria constrangimentos”.

Vítor Vicente faz saber que “queremos incentivar o voluntariado, como forma de ajudar mais pessoas, organizar-se entre as IPSS do concelho uma rede de recolha de desperdícios alimentares, e como na cultura, criar um conselho de IPSS e associações que prestem serviços à comunidade para que possamos chegar melhor a quem mais precisa.”

Em matéria de água e saneamento diz que “em pleno século XXI há povoações que ainda não têm água canalizada nem saneamento básico. Queremos levar a água a todos, e melhorar a qualidade de vida destas populações”. Quanto a resíduos sólidos e urbanos alega que “a liberdade de reciclar ainda não chegou a todos, o CDS quer melhorar a rede de ecopontos e de oleões no concelho, para que as pessoas sejam incentivadas a reciclar.”

 

Quando frequentava a Universidade de Évora praticava rugby, depois deixou a modalidade. Hoje dedica-se mais à caça, diz-se um “amante da natureza”, conhecendo “sem ser biólogo, muitas plantas, muitos animais, insetos, outras espécies”. Sempre que pode dá uma ajuda ao avô no campo e gosta “de aprender com os mais velhos”. Relembra uma frase dita por um senhor de Vila Real que comprava gado ao seu avô “podemos ser parvos mas não somos estúpidos”.

 

Tem uma filha pequena, a Maria Constança, com quase dois anos de idade e que lhe toma algum tempo, o que é natural. Concilia esse papel de pai com a vida político-partidária e com uma vida profissional dedicada a representar algumas empresas portuguesas do agroalimentar nos mercados do Báltico. Assume que o grande desafio neste momento será mesmo o combate eleitoral nas autárquicas deste ano e irá “Fazer Diferente” pela sua terra, Montemor-o-Novo.

 

A apresentação oficial da candidatura irá ter lugar no próximo sábado, 20 de maio, pelas 17 horas, na sede da União de Freguesias de Nossa Senhora da Vila, Bispo e Silveira, com a presença do vice-presidente do CDS, Nuno Melo, do presidente da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, e todos aqueles que quiserem participar, estando desde já convidados pelo Vítor Vicente a ir até Montemor-o-Novo.

 

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