﷯ folhacds 12 JULHO 2017

“Senhor Primeiro-Ministro,

volte e demita-os!”

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“1. O CDS pediu uma audiência ao Senhor Presidente da República para lhe transmitir a profunda preocupação que sentimos em relação à grave quebra de confiança nas instituições e na autoridade do Estado. Ainda antes do incêndio de Pedrógão e do furto de material militar, já tínhamos conhecido episódios preocupantes: nomeadamente a insegurança no aeroporto de Lisboa e o furto de pistolas à PSP.

 

2. Em relação ao incêndio de Pedrogão Grande, o CDS adotou, desde a primeira hora, uma atitude de respeito e de união em pesar pelas mortes e seus familiares; atendendo à gravidade da situação tivemos o cuidado de evitar quaisquer precipitações; cinco dias depois da tragédia, face às informações contraditórias que foram aparecendo na comunicação social e à falta de qualquer resposta cabal por parte do Governo, enviámos um requerimento ao Primeiro-Ministro com 25 perguntas detalhadas sobre o sucedido e instámos o Primeiro-Ministro, por escrito e depois no debate quinzenal da semana passada, a dar respostas aos portugueses. Não obtivemos qualquer esclarecimento.

Ouvida a Ministra da Administração Interna em Comissão, no Parlamento, registamos a mesma versão que já tinha tido na entrevista televisiva da semana anterior: que não tinha qualquer garantia de que alguma coisa tivesse falhado do lado das entidades sob sua tutela. A insistência nesta resposta – ou não resposta – é intolerável, quando várias entidades sob a sua tutela apresentam versões contraditórias sobre os mesmos factos, e os dados que vieram a público sobre a fita do tempo revelam uma descoordenação assustadora.

 

3. Em relação ao furto de material militar, situação de enorme gravidade, mesmo antes de ir ao Parlamento dar explicações, ouvimos o Ministro da Defesa assumir a responsabilidade política, mas não o vimos retirar qualquer consequência disso. Sinalizámos a ausência de qualquer palavra por parte do Primeiro-Ministro numa matéria tão grave, quer interna quer externamente. Sentimo-nos envergonhados quando um jornal estrangeiro publicou a lista do material furtado. O Estado português está fragilizado e nem uma palavra do Primeiro-Ministro!

"Que imagem é esta do Estado português perante os portugueses e o mundo? O que se passou? Não se sabe. Quem é responsável? Ninguém. Quem tem respostas? Ninguém sabe. O que se está a fazer para evitar tudo isto? Não se sabe. Um Estado que falha e não sabe. Não aceitamos isso. As falhas têm de ter responsáveis e os responsáveis têm de ter consequências."

4. Nestes dois casos puseram-se em causa as funções mais elementares de um Estado soberano: as que dizem respeito à segurança das pessoas. Quebrou-se a confiança que todos temos de ter nas instituições do Estado. Pôs-se em causa a credibilidade internacional do nosso país. Num caso e noutro o Governo tem fugido às suas responsabilidades e mostra-se incapaz de assumir os erros e tirar conclusões. O mesmo Governo que, ao invés, se desdobra em entrevistas inconsequentes e é rápido a mandar testar a sua imagem e popularidade. Deixa clara a sua principal preocupação.

 

O Governo tem sido o rosto da incompetência em áreas de soberania e desnorte em questões de segurança, seja na Proteção Civil seja no armamento à guarda do Estado.

 

Esperámos uma atitude firme por parte dos ministros em causa ou do Primeiro-Ministro, assumindo as suas responsabilidades e respetivas consequências políticas. Não o fizeram. Instámos o Primeiro-Ministro a retirar essas consequências. Não o fez. Passaram-se dias de um silêncio ensurdecedor.

 

O que se passou nas últimas semanas em Portugal ultrapassou todas as marcas.

 

Quando os portugueses mais precisavam de um Estado que os protegesse, o Estado falhou. Falhou e tarda em assumir que falhou, escondido nas contradições dos governantes, escudado na barafunda dos serviços, disfarçado num Primeiro-Ministro que só faz perguntas e que se limita a ter “curiosidade” nas respostas.

 

Quando o mundo mais precisava que Portugal assegurasse que o inimaginável furto de armas não voltaria a suceder, que tudo estaria a ser feito, e o quê, para impedir a repetição e apanhar os culpados, o Estado voltou a falhar.

Falhou e tarda em assumir que falhou, com um Primeiro-Ministro ausente, mudo, e um Ministro que diz assumir responsabilidades por ser um “pro forma”.

 

Que imagem é esta do Estado português perante os portugueses e o mundo? O que se passou? Não se sabe. Quem é responsável? Ninguém. Quem tem respostas? Ninguém sabe. O que se está a fazer para evitar tudo isto? Não se sabe. Um Estado que falha e não sabe. Não aceitamos isso. As falhas têm de ter responsáveis e os responsáveis têm de ter consequências.

 

Se o Primeiro-Ministro não sabe, nós dizemos-lhe: lamentamos, mas estes ministros não souberam estar à altura das suas responsabilidades, as demissões são inevitáveis e temos de o dizer sem hesitações nem mais rodeios:

 

Senhor Primeiro-Ministro, volte e demita-os!

 

Não espere o fim da dita “época de incêndios” porque a descoordenação não se pode repetir, não espere por mais furtos, evite-os! Dê aos portugueses as garantias de que a sua segurança é mais importante do que lealdades pessoais ou partidárias.

 

Há uma crise de autoridade. Há uma crise de comando. Há uma crise de confiança. Esta só será resolvida com a demissão destes dois ministros.

 

Foi o que acabamos de transmitir ao Senhor Presidente da República e é a exigência que fazemos ao Primeiro-Ministro, responsável máximo pela composição do Governo.”

 

>> Assunção Cristas