// PARLAMENTOS Combate às alterações climáticas // ALRAM

O Grupo Parlamentar do CDS na Assembleia Legislativa da Madeira, liderado por António Lopes da Fonseca, também presidente do CDS Madeira, apresentou o projeto de resolução “Observatório regional de combate às alterações climáticas” no qual cons que “nos últimos sete anos, a Região Autónoma da Madeira conheceu três grandes incêndios e a aluvião do 20 de fevereiro de 2010. Desastres que ceifaram a vida a dezenas de madeirenses, causaram elevados danos nos bens e propriedades das pessoas e deixaram um rasto de destruição ambiental.”

 

Prossegue, “não existem estudos que suportem a verdadeira origem destas tragédias, nem a razão da frequência com que têm ocorrido, mas é muito provável que o território da Região esteja a sofrer já os efeitos nefastos das alterações climáticas.

 

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o mês de outubro de 2017 “foi mais quente do que é habitual em grande parte da Europa” e quando olhamos para a história meteorológica do País, nos últimos 80 anos, 6 dos 10 verões mais quentes aconteceram já neste século XXI.

 

O clima mudou e continua a mudar, mas nós continuamos a fingir que nada se alterou. Preferimos desviar a atenção da realidade que estudos, cientistas e dados, sejam de ordem nacional ou internacional, expressam com um realismo impressionante: 2016 foi o ano mais quente desde que há registos.

 

A Organização Mundial de Saúde estima que todos os anos morram 150 mil pessoas devido às alterações climáticas. As informações mais recentes referem que na presente data, 96% do território de Portugal está em seca extrema e importa recordar que na onda de calor que assolou o País em 2013 morreram 1.700 portugueses por problemas de saúde relacionados com a temperatura extrema.”

 

Completa ao afirmar que “toda a literatura científica publicada e conhecida diz que se nada fizermos, é sem surpresas que a temperatura irá aumentar mais 5º C face ao período pré-industrial, o nível do mar continuará a subir, os fenómenos climáticos extremos serão mais frequentes, vagas de calor, cheias, secas e incêndios de proporções dantescas como os que ocorreram na Madeira, em agosto de 2016, em Pedrógão Grande, fazendo mais de 60 mortos, em junho de 2017, e em Monção, Arganil e Seia, em outubro deste ano, provocando mais e 40 vítimas mortais.

 A este cenário dantesco, somam-se os surtos epidémicos, a degradação do património florestal e a destruição da biodiversidade.

 

A fragilidade da economia regional, a escassez de recursos e o provável impacto negativo das alterações climáticas naquele que é o maior bem regional, o património florestal e a Natureza, configuram um desastre de consequências incalculáveis para a Madeira e o Porto Santo se nada for feito antes que seja tarde.

 

Há muito que as autoridades regionais deviam ter colocado na agenda política e nas prioridades governativas o estudo das consequências das alterações climáticas na Região Autónoma da Madeira, criando um organismo regional específico dotado de meios humanos e técnicos que permitam estudar, conhecer e apresentar soluções para o combate às alterações climáticas. Um trabalho que deve ser feito com total rigor científico, em parceria com a Universidade da Madeira, com os técnicos e estudiosos que a Região dispõe nas áreas diretamente relacionadas com o ambiente e o clima, com as instituições públicas e privadas do sector, as autarquias e demais organismos públicos e privados.”

 

Posto isto, os deputados do CDS Madeira defendem que a Assembleia Legislativa da Madeira recomende ao Governo Regional a criação do “Observatório Regional de Combate às Alterações Climáticas”, devendo a Região estar à altura de minimizar o impacto negativo para a economia, as populações e o património ambiental proveniente do aquecimento global.

 

O impacto das alterações climáticas nas nossas vidas é irreversível e é porventura o maior desafio que a Humanidade terá de enfrentar, pois é a sua própria sobrevivência que estará em causa.

 

A subida constante da temperatura do nosso planeta é uma questão de segurança regional, nacional e internacional e um fator de multiplicação das fragilidades sociais e políticas, como aliás se tem observado sempre que uma tragédia de grandes proporções nos bate à porta.

 

O Homem tem sido o principal fator de desflorestação e tem contribuindo para o abandono dos campos e da agricultura, através de uma forte e desordenada urbanização.

 

 

 

﷯ folhacds 27 NOVEMBRO 2017