// OPINIÃO Maria da Conceição Zagalo _ // Política autárquica, um novo desafio

Quanto mais avanço na vida mais acredito que o domínio da zona de conforto gera alguma tendência para a acomodação capaz de marcar a agenda das mudanças em nós operadas.

 

Quando há quatro meses e picos fui abordada para integrar a lista de candidatura do CDS PP à Câmara Municipal de Lisboa no processo que caminhava a passos largos para as eleições de 1 de outubro, eu estava longe de imaginar que o ritmo dos meus dias e a minha vida estavam a caminho de dar uma volta.

 

Se a resposta ao desafio lançado foi adiada por necessidade de ponderação sobre o inesperado convite e de ouvir opiniões de pessoas que me são caras, a verdade é que não foram necessários muitos dias para confirmar que há desafios que abraçamos por razões de confiança, mas também porque implicam deveres de cidadania que não podemos nem queremos negar.

 

Absorvido o compromisso implícito ao sim formulado, lancei-me então de alma e coração numa campanha eleitoral que viria a constituir o melhor pontapé de partida para o que os próximos quatro anos de responsabilidade autárquica possam representar em matéria de intervenção no terreno e de influência com vista ao desenho de políticas locais que melhor sirvam uma cidade e uma nação.

Vivi intensamente cada dia de campanha. Apercebi-me como nunca de dificuldades inimagináveis nesta cidade de tamanhos contrastes. Encetei um outro alcance de planeamento, de liderança, de tenacidade, de vontade de fazer acontecer.  Conheci pessoas fantásticas das mais diversas idades, interesses, contextos sociais ou económicos que deram aos meus dias uma nova tonalidade, uma outra dimensão. E confirmei que dever cívico e espírito de missão, se de mãos bem entrelaçadas, podem operar maravilhas num contexto de trabalho fundamentado em visão de gente que escolhe não se render ao comodismo na hora de transformar o país.

 

O resultado das eleições autárquicas surpreendeu e superou todas as expectativas, sabemo-lo. Mas, com toda a isenção de que sou capaz, se tal aconteceu foi porque o CDS PP não se poupou a esforços para mostrar não apenas a Lisboa, mas a todo o país, a firmeza do seu programa eleitoral, a seriedade das suas intenções, a nobreza no seu empenho em melhor servir todos os que acreditam ser possível um futuro de maior bem-estar e equidade social.

 O resultado das eleições autárquicas surpreendeu e superou todas as expectativas, sabemo-lo. Mas, com toda a isenção de que sou capaz, se tal aconteceu foi porque o CDS PP não se poupou a esforços para mostrar não apenas a Lisboa, mas a todo o país, a firmeza do seu programa eleitoral, a seriedade das suas intenções, a nobreza no seu empenho em melhor servir todos os que acreditam ser possível um futuro de maior bem-estar e equidade social.

Passando em revista o programa de candidatura de uma líder com provas dadas sobre a capacidade de chamar a si a responsabilidade pela qualidade de vida dos portugueses que aceitem entregar-lhe a gestão de políticas e processos assentes em verdadeiros princípios de democracia, não poderia louvar de forma mais assumida a oportunidade e consistência das medidas propostas e convictamente, melhor, exemplarmente defendidas.

 

É que, desde a mobilidade à segurança, do ambiente à energia, da habitação às políticas sociais, da economia à cultura ou ao empreendedorismo muitas e muito vastas são as áreas de preocupação bem plasmadas em todo um conjunto de propostas criteriosamente trabalhadas. Foi com base em opiniões tão conscienciosamente recolhidas junto de portugueses que melhor do que ninguém sentem no dia a dia as dores de problemas por resolver, que veem portas fecharem-se às súplicas de ajuda, ou ouvidos surdos aos apelos de apoio para resolução do que são direitos básicos de vida em dignidade, que se propôs à cidade e ao país uma alternativa a um estado de coisas que é sabido não satisfazerem muitos dos requisitos básicos de cidadãos num estado de direito.

 

Vi pessoas desesperadas por não terem casa que lhes permita alojar capazmente agregados familiares cheios de carências, vi pessoas com deficiência há meses ou anos encarceradas em andares elevados de prédios onde os elevadores teimam em não funcionar, vi casas vazias e de paredes emparedadas portas meias com quartos que albergam para cima de uma dezena de pessoas, vi ruas onde a certas horas do dia é mais rápido andar a pé do que em transportes motorizados, vi escolas e habitações com saída direta  para ciclovias, vi bairros de populações envelhecidas por incapacidade de reter e atrair jovens na hora de constituírem família e aí educarem os filhos… Vi tanta coisa de que não me orgulhei e que sinto poder ter solução pela mão de responsáveis com nobreza em matéria de vontade política. Vi, isso sim uma cidade com todo um potencial de brilho toldado pela falta de coragem e de maiores doses de ambição na hora de inovar e gerar o valor capaz de nos permitir transformar e tornarmo-nos grandes.

E o que vi nesta cidade que adotei de alma e coração não será diferente do que vai pelo meu país, este Portugal continental e insular que tanto tributo tem a prestar a todos os que ao longo de tantos séculos o souberam erguer.

 

Vi, e vejo, muito trabalho e muitas oportunidades pela frente e todo um sem número de iniciativas em potencial, não raras vezes torpedeadas por questões que nada têm a ver com a sua essência, com a genuinidade e o mérito que lhes está a montante.

 

Nesta fase do campeonato, de carreira profissional provada, contributo desinteressado em organizações sociais, e família amadurecida, perante o tal desafio tão inesperado quanto aliciante, lanço-me, assim, na defesa de interesses que façam jus ao empenho dos que escolhem não ficar parados na hora de defenderem valores patrióticos. Mas, também, de se baterem por uma evolução positiva e inclusiva, de nos conferirem a capacidade de acreditar que, cumprindo os mais básicos princípios da sustentabilidade, deixaremos para as gerações futuras, com juros sobre o investimento que nos foi confiado, o que recebemos como legado de todos os que se entregaram de alma e coração ao país e partiram na esperança de um Portugal melhor.

É, pois, nesta convicção, que com grande enlevo e seguramente boas doses de encanto e de sentido de missão, enceto um novo capítulo de vida disposta a manter-me vigilante e próxima e, com as pessoas e pelas pessoas, criar e fazer acontecer neste ou noutros pontos do país, circunstâncias que nos projetem para o palco do mundo enquanto gente de bem e enquanto nação.

 

E é com redobrado empenho e determinação que encaro este meu ciclo de vida, assumindo a política autárquica como um novo desafio.

 

﷯ folhacds 27 NOVEMBRO 2017