// OPINIÃO Pedro Meira _ // O ALTO MINHO NA LUTA POR UMA MAIOR COESÃO TERRITORIAL

O convite para participar na Folha CDS colheu-me de surpresa, jamais imaginaria que na minha ainda curta participação na política activa e no partido, pudesse ter o privilégio de participar nesta coluna. Antes de mais, sendo esta a minha primeira intervenção na «Folha CDS», apresento-me, sou um Vianense, um Alto Minhoto com um amor irracional e incondicional a Viana do Castelo e ao Alto Minho. A política está-me no sangue. Desde miúdo que tive muito contacto com a política, sobretudo através do meu saudoso avô, Prof. Dr. Nunes de Oliveira, que foi deputado durante muitos anos, tendo inclusivamente sido Procurador à Câmara Corporativa, com ele vivi durante duas décadas e com ele absorvi, diária e intensamente, história viva de Portugal, foi ele que, involuntariamente, me incutiu o bichinho da política. Apesar do muito respeito que tenho pelas juventudes partidárias, sempre defendi que só iria ter uma participação activa na política depois de ter a minha carreira profissional consolidada e estabilizada. Tive o privilégio de viver e trabalhar em várias cidades do país e de ter vivido no exterior durante alguns anos, profissionalmente cumpri as minhas metas antes dos 40 anos, o que me permite agora intervir e participar com outra mundividência e clarividência na defesa da minha cidade e da minha região.

Este é e será sempre o meu principal fito na política, a defesa dos interesses e a afirmação de Viana do Castelo e do Alto Minho. Em pleno culminar do ano de 2017, depois das recentes tragédias que se abateram sobre o país profundo, a discussão na sociedade portuguesa permanece igual…não evoluímos…a discussão permanece centrada e reduzida a uma provinciana disputa entre duas cidades do país, Lisboa e Porto. Todos sabemos que o nosso modelo de organização administrativa está esgotado há muitos anos, não é novidade que os poderes públicos continuam demasiadamente concentrados em Lisboa e que a Administração Central é muitas vezes chamada a tomar decisões relativamente a realidades das quais está, escreva-se sem temor, profundamente desfasada, ocupando-se de matérias e de tarefas que podiam estar perfeitamente entregues a outras entidades mais próximas dos cidadãos. No entanto, o combate ao centralismo, através da descentralização e da desconcentração, não se faz, não se pode fazer, “à la socialista", num ridículo modo de compensação, alterando de repente a sede do INFARMED de Lisboa para o Porto como forma de compensação face à não eleição do Porto para cidade sede da Agência Europeia do Medicamento. Note-se e sublinhe-se que a região Norte não é composta exclusivamente pelo Porto, é muito mais que o Porto.

O CDS no Alto Minho para se desenvolver como o PP na Galiza, tem que se focar na valorização da sua marca, na sua organização, na sua implantação, na sua capilaridade no terreno, apostar num trabalho mais próximo junto do eleitorado. O CDS tem que ser o porta-voz dos anseios e dos problemas de todos os Alto Minhotos.

Lamentavelmente muitos só se lembram que o resto País existe e que não é só composto por estas duas cidades quando o país arde profusamente. Dizia o Prof. Manuel Lopes Porto, já há 15 anos, que “esta falta de noção do território (tão pequenino ainda por cima) é confrangedora e absolutamente aterradora.” Triste sina, triste país o nosso que não evolui e que não percebe que o centralismo e a redução da organização e definição do território a duas cidades conduzir-nos-á, a médio prazo, a que nos tornemos, inevitavelmente, ainda mais pequenos. Em Portugal há, sejamos claros, um manifesto e cada vez maior desequilíbrio entre as regiões, isto quando é consabido que a coesão territorial é a chave para o desenvolvimento e crescimento económico do país. Neste capítulo da luta por uma maior coesão territorial o Alto Minho e o CDS poderão ter um papel importante a desempenhar, bastando para isso um singelo olhar para cima, para a vizinha Galiza e para o papel do PP-Partido Popular na Galiza. O Alto Minho é uma das regiões mais pobres, mais desertificadas e mais envelhecidas de Portugal, o Distrito de Viana é o Distrito mais pequeno em termos de área do território continental, contando somente com 10 concelhos. No entanto, há um diferencial pouco explorado e aproveitado na nossa região, a proximidade com Espanha e com a Comunidade Autonómica da Galiza, a proximidade é tal que o Alto Minho tem muito mais identificação histórica, cultural, sociológica, linguística com a Galiza do que com algumas regiões de Portugal. Apesar desta comunhão identitária e inversamente ao que se passou no lado de cá, a Galiza, nas últimas décadas, alcançou um poderio económico fortíssimo que se reflecte no nível de vida da população, a Galiza tem uma força económica que o Norte de Portugal e sobretudo o Alto Minho nem sequer vislumbra e esse feito deve-se em muito a uma liderança política forte, à existência de um líder que defendia e promovia a sua Galiza “como nadié”, D. Manuel Fraga Iribarne, (Presidente da região autónoma galega durante longos anos, fundador do PP espanhol).

Em termos de acessibilidades existem actualmente cinco pontes, cinco travessias que ligam o Alto Minho à Galiza, no entanto, tal conexão de territórios não basta, há uma necessidade premente de uma maior afirmação regional do Alto Minho por via da sua ligação à Galiza, há que trabalhar de forma distinta esta Euro-região, numa perspectiva de ganho de escala a nível Europeu. Há a meu ver uma necessidade de lideranças mais fortes e afirmativas do lado Português, que conduzam o Alto Minho a outro patamar, realizando um trabalho de reaproximação estas duas regiões que, apesar de pertencerem a Estados diferentes, possuem traços identitários muito semelhantes, mas que, infelizmente, económica e financeiramente estão a anos luz uma da outra. O Alto Minho, por via da Câmara Municipal de Ponte de Lima, é um bastião histórico do nosso partido, mas isso não basta, não chega, é demasiadamente escasso face à realidade sócio-política da região. Analise-se a implantação do PP na Galiza, como cresceram, porque cresceram, de que forma o fizeram. Viana do Castelo é um dos distritos com mais potencial de crescimento no partido, haja essa vontade de crescer. O CDS no Alto Minho para se desenvolver como o PP na Galiza, tem que se focar na valorização da sua marca, na sua organização, na sua implantação, na sua capilaridade no terreno, apostar num trabalho mais próximo junto do eleitorado. O CDS tem que ser o porta-voz dos anseios e dos problemas de todos os Alto Minhotos. Não podem existir e não existirão impossíveis no futuro do CDS-PP no Alto Minho, citando o saudoso D. Manuel Fraga Iribarne, com quem ainda tive o privilégio de privar e de me inspirar “La política es el arte de lo posible; para lograrlo hay que intentar muchas veces lo que aparentemente es imposible”

 

﷯ folhacds 27 NOVEMBRO 2017