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O Grupo Parlamentar do CDS na Assembleia Regional da Madeira, liderado por António Lopes da Fonseca, apresentou um programa específico para a resolução das ‘altas problemáticas´ existentes na Região Autónoma da Madeira.

 

No seu projeto de resolução é afirmado que “segundo os últimos dados conhecidos meio milhar de madeirenses encontra-se em situação de alta problemática no Serviço de Saúde da Região, nomeadamente no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Hospital dos Marmeleiros, no Hospital João de Almada, Centros de Saúde e Unidade de Saúde do Atalaia.”

 

Esclarecem que “as ‘altas problemáticas’ são situações em que utente após ter sido internado, foi tratado com sucesso, já não precisa de cuidados hospitalares, o médico assistente deu alta e fez o encaminhamento para a consulta externa hospitalar ou para o médico de família, mas o doente não saiu da unidade de saúde por motivos sociais e não clínicos.”

 

Os deputado do CDS Madeira fazem ainda saber que “na génese deste problema estão questões pessoais e familiares, sociais e económicas, e na grande maioria dos casos as ‘altas problemáticas’ estão os utentes idosos. Existem situações nas quais os utentes antes do internamento tinham um grau de autonomia superior ao actual, situações em que a família não pode nem aceita passar a receber o utente em casa, necessitando de um encaminhamento adequado pela segurança social. “

 

Alertam para a distinção que é preciso ser feita entre “estas situações de ‘altas problemáticas’ que ocorrem no sector da Saúde Pública Regional, mas, na realidade, nada tem a ver com o Serviço Regional de Saúde pois a permanência dos utentes nas instituições do SESARAM não é por motivos de saúde mas por motivos de ordem social e económica. Assim, este é um problema eminentemente de inclusão social, sendo responsabilidade da Segurança Social, em concreto, Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais.”

 

Lamentam que “desde que este problema assumiu estas proporções, há cerca de 12 anos nunca houve por parte dos responsáveis da Inclusão e Assuntos Sociais uma resposta necessária e suficiente para que este problema não atinja as proporções que atualmente atingiu.”

 

Não passou em claro que “existe uma lista com cerca de mil utentes à espera de vaga nos lares da Região Autónoma da Madeira, lista essa que só não é superior porque as famílias e os utentes sabem que a Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais não é capaz de dar resposta à mesma. Resta aos utentes, muitos deles com elevados graus de incapacidade e de faixas etárias superiores, viverem sós ou estarem sozinhos durante os dias em que a família trabalha.”

 

É sabido que “o apoio domiciliário dificilmente é a resposta adequada nas situações de grande dependência física e mesmo de quadros demenciais senis” e também “que a dimensão deste problema das ‘altas problemáticas’ é superior na Região ao registado nos Açores e no território continental da República.”

 

Os parlamentares do CDS madeirense criticam que “no Programa de Governo Regional nem no discurso ou na praxis dos actuais dirigentes regionais da Segurança Social vontade, prioridade e alocação de recursos para que este problema seja efectivamente solucionado.”

 

Afirmam ser “ fundamental terminar com este ciclo vicioso em que, nem a Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais cria as condições para resolver este problema das ‘altas problemáticas’, nem a Secretaria da Saúde pode usar as 500 camas de internamento para doentes cirúrgicos ou agudizados a necessitarem de tratamento de saúde específico.”

 

Segundo esta posição do CDS Madeira, a Assembleia Legislativa Regional deve recomendar “ao Governo Regional a criação e um programa específico da Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais que permita o aumento da assistência social no sentido de prestar o necessário e obrigatório apoio aos utentes internados em situação de alta problemática, de maneira a que este problema seja efectivamente atenuado e eventualmente reduzido, por forma a libertar as camas dos hospitais para o tratamento de doentes que precisam realmente de cuidados de saúde.”

 

 

 

﷯ folhacds 22 MARÇO 2018