// DESTAQUE Debate EUTANÁSIA: Conhecer melhor os Argumentos e a Realidade _

A deputada do CDS e médica especialista em cuidados paliativos, Isabel Galriça Neto, o assessor de comunicação, João Franco Reis e o escritor e cronista Henrique Raposo, bem como o médico canadiano luso-descendente José Pereira e Alex Schadenberg, diretor da organização Euthanasia Prevention Coalition, ambos em depoimento vídeo, foram os principais intervenientes no debate sobre a Eutanásia com organização conjunta do Gabinete de Estudos, do Grupo Parlamentar e das Concelhias de Lisboa do CDS e da JP.

 

Isabel Galriça Neto na apresentação inicial estabeleceu uma comparação entre o número de mortes por eutanásia na Holanda para calcular que em Portugal morreriam cerca de 4.500 pessoas anualmente por intermédio dessa prática, caso fosse permitida.

 

"Em Portugal aconteceriam 4.500 eutanásias por ano", declarou a deputada, fazendo uma extrapolação do caso holandês e do número de habitantes da Holanda para o número de habitantes de Portugal.

A médica e dirigente centrista, que na freguesia de Alvalade em Lisboa, argumentou que não se pode desligar a discussão da experiência dos países em que aquela prática é legal e esperar que em Portugal os resultados sejam diferentes.

 

Na Holanda, frisou, há "uma eutanásia a cada uma hora e 20 minutos, 18 eutanásias por dia", de pessoas "que não pediram para morrer", com demência e outros quadros clínicos de saúde mental ou sujeitas a "sofrimento intolerável", que pode ir da depressão a uma situação de encarceramento prisional.

 

Tais situações já levaram a demissões no comité de eutanásia na Holanda, sublinhou, "porque aquilo que está na lei é rapidamente ultrapassado".

 

A deputada do CDS defendeu também que a objeção de consciência dos médicos é atacada naqueles países, nomeadamente através do financiamento do Estado a instituições que se recusam a praticar a eutanásia.

// ISABEL GALRIÇA NETO É preciso fazer o melhor e não o mais fácil. E o mais fácil é a lei da eutanásia e não a disseminação dos cuidados paliativos _

Utilizou ainda a seguinte imagem “uma maçã linda mas toda ela envenenada” para se referir aos projetos de lei que estão na calha sobre esta problemática.

 

“É preciso fazer o melhor e não o mais fácil. E o mais fácil é a lei da eutanásia e não a disseminação dos cuidados paliativos”, sublinha.

 

Henrique Raposo e João Franco Reis questionaram sobretudo a questão moral, igualmente sublinhada por Isabel Galriça Neto, que considerou tratar-se de uma questão de "direitos humanos".

 

Henrique Raposo argumentou que legalizar a eutanásia é proporcionar uma "janela de oportunidade" à morte. "Quando alguém se quer atirar de uma ponte, o nosso impulso é impedi-la. Qual é a diferença entre agarrar uma pessoa a tentar saltar de uma ponte e ir ao hospital? ", questionou. “O dever da sociedade é travar o impulso de quem se quer suicidar, não é empurrá-lo”.

 

 

Assume que esses casos implicam limitar a liberdade de quem o queira fazer, mas ainda assim considera que é a atitude mais acertada.

 

Henrique Raposo, que assumiu ter sofrido uma depressão que o levou a pensar no suicídio, sublinhou que a missão da sociedade é fechar a janela de oportunidade para a morte, tal como se colocam traves nas pontes para prevenir suicídios.

 

"As pessoas que foram travadas na Golden Gate [ponte de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos], 94% nunca mais tentou o suicídio", especificou.

 

João Franco Reis contrariou a ideia de que o Estado deve ser moralmente neutro. “Matar um doente é uma das linhas vermelhas em que nos temos de fazer ouvir. Obriga-nos a dizer não, não aceitamos. Isto não!”, exclamou.

 

Afirmou ainda que “os bons fins não justificam os maus meios”, argumento que foi por diversas vezes repetido ao longo do debate.

 

// ASSUNÇÃO CRISTAS o Parlamento não tem mandato para legislar sobre a eutanásia, porque, à exceção do PAN, os partidos excluíram o tema dos seus programas eleitorais. _

A Assembleia da República tem pendentes projetos sobre morte medicamente assistida, do PAN e do Bloco de Esquerda, e são esperados um do PEV e outro do PS.

 

A presidente do CDS, Assunção Cristas, que interveio no encerramento relembrou o empenho do CDS nas questões da natalidade e da família, bem como na defesa do valor da vida.

 

Afirmou que o Parlamento não tem mandato para legislar sobre a eutanásia, porque, à exceção do PAN, os partidos excluíram o tema dos seus programas eleitorais.

 

Do ponto de vista político, o Parlamento é o espaço para o fazer porque tem legitimidade, mas este Parlamento não tem mandato", defendeu a reeleita líder.

 

Assunção Cristas vê um referendo com reservas, argumentando que "a simplificação é redutora, empobrece" e "induz uma resposta", “o caminho do ‘sim’ ou ‘não’ não será o mais viável” e prometeu trabalhar para fazer ouvir os argumentos contra a eutanásia, mesmo que isso não dê votos, “estarei a batalhar para que não haja precipitações nesta matéria.”

 

 

 

﷯ folhacds 22 MARÇO 2018