﷯ folhacds 19 ABRIL 2018

CONVERSAS DO CALDAS

Miguel Moreira da Silva

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Antero Miguel Lopes Moreira da Silva nasceu a 29 de outubro de 1983, em Vila Nova de Famalicão. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, pós-graduado e doutorado em Sistemas Sustentáveis de Energia pelo programa MIT Portugal com aquela faculdade. É quadro da REN - Redes Energéticas Nacionais, professor convidado no Instituto Superior Técnico. Foi adjunto da ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território no XIX Governo Constitucional. É vereador do CDS na Câmara Municipal de Lisboa. É membro da Comissão Política Nacional do CDS.

Começámos a conversa com o Miguel Moreira da Silva por perguntar-lhe sobre a sua adesão ao CDS, que tem lugar formalmente em 2006, e se já antes tinha alguma participação político-cívica. Diz-nos que “sempre tive muito interesse pelo debate de ideias e sou movido por convicções e causas, seja na vida profissional como na vertente cívica. Sendo o meu pai um dos fundadores do PPD-PSD no norte do país, esse partido apresentava-se como a única escolha para alguém que teve uma educação baseada no trabalho, no rigor, mas também na tolerância e nos valores do catolicismo. Contudo, durante a adolescência não tive o impulso de me filiar numa juventude partidária”. Faz um parêntesis para completar “felizmente, porque nessa altura a escolha teria recaído sobre a JSD”. Como veremos o seu trajeto foi, com efeito, outro bem distinto.

 

Explicou-nos que “o meu primeiro contacto com o associativismo deu-se na faculdade [FEUP], onde por diversas ocasiões participei nos órgãos da Associação de Estudantes. Por essa altura, contudo, já estava mais próximo do CDS, muito devido à clareza e intransigência das suas posições em matérias do direito e dignidade da vida humana”. Ponderado e com espírito crítico apurado, ”depois de alguns anos de observação e estudo dos dois partidos políticos não socialistas, acabei por me filiar na JP, tinha 19 anos, na sexta-feira anterior às eleições legislativas de 2002 que levaram o CDS para o governo com o PSD.” Na JP o seu percurso passou por ter sido “presidente da concelhia de V.N. Famalicão, coordenador da distrital de Braga, vogal da CPN do João Almeida e Vice-Presidente da CPN do Pedro Moutinho. Esta direção do Pedro Moutinho era um grupo especialmente talentoso, miúdos com PhD’s e MBA’s, e que pensava política com uma maturidade pouco comum para uma juventude partidária.”

 

O seu percurso profissional é assinalável e foi tema de conversa. Miguel Moreira da Silva refere que “a escolha da minha formação está relacionada com o imaginário empresarial que sempre cultivei. Sou engenheiro acima de tudo porque gosto da área industrial. Conto com já mais de 12 anos de experiência profissional em multinacionais nas áreas da Energia, Ambiente e Tecnologias de Informação. Realizei o doutoramento no MIT Portugal enquanto trabalhava, primeiro na Itron e depois no Governo, e fui contratado pela REN para aplicar os modelos teóricos desenvolvidos durante a investigação, e para criar de raiz um centro de I&D com a State Grid Corporation of China. Em relação a este percurso profissional alega que tenta “conciliar a vertente empresarial com a perspetiva académica”. Acrescentamos nós que é um percurso também premiado, nomeadamente em 2013 quando foi selecionado pelo Conselho Mundial da Energia como um dos cem Future Energy Leaders (de resto, o único português).

 

Por falar em colaboração no âmbito do Governo, foi precisamente “no gabinete da ministra Assunção Cristas no qual eu era o adjunto responsável pela área do ambiente e pelas políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.” Afirma ter sido “uma experiência inesquecível, tendo presente o momento histórico que se vivia e a importância do ministério. Recordo-me que comparando o gabinete da MAMAOT [ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território] com o gabinete da anterior ministra do Ambiente do PS, eu fazia o trabalho de quatro adjuntos. A equipa era muito coesa e solidária, o que foi vital para cumprir com as reformas muito exigentes desse Governo.”

Considera que “a fase inicial do mandato foi marcante. Os gabinetes do Governo do PS fizeram uma passagem de pastas sofrível e todos os dias tinha de estudar dossiês intermináveis de avaliações de impacto ambiental que estavam prestes a ser aprovadas tacitamente.” Continua, “as primeiras semanas foram fundamentais para garantir a resposta adequada do Estado em processos críticos, sem termos recebido qualquer alerta por parte do anterior gabinete.”

 

Dá, no entanto, destaque particular ao seguinte acontecimento, ”o que mais me marcou foi uma reunião com o Eng.º Pedro Serra, à época presidente do grupo Águas de Portugal (AdP). Eu sabia que os serviços de águas e saneamento necessitavam de uma reforma empresarial e regulatória, mas desconhecia os astronómicos valores da dívida da AdP (quase 3 mil milhões de €) e do défice tarifário (mais de 550 milhões de €).”

 

 Prossegue o relato desse momento e “basicamente durante a governação de José Sócrates foram desenvolvidos projetos de abastecimento de água assentes em pressupostos de crescimento da população, e do consumo também, que à partida já se sabia que não seriam cumpridos, originando tarifas de água reais superiores à tarifa prometida.” Explicita que a “consequência foi um conjunto muito considerável de municípios deixaram de pagar a água à AdP, o que redundou num problema financeiro e político preocupante. Foi nesse contexto que o então presidente da AdP me apresentou um mapa de Portugal continental, em que metade do território aparecia a vermelho. Estávamos perante um conflito fratricida entre a AdP e os municípios devedores, que incluía ameaças de corte de abastecimento de água, e o governo a ser pressionado pelo Banco Europeu de Investimento [BEI], enquanto credor, e pela troika para desenhar uma solução para o problema.”

 

Conta os passos seguintes: “Eu e o meu colega de gabinete com o pelouro financeiro, o José Pedro Martins, desdobrámo-nos em reuniões com a troika, BEI, autarcas e especialista sectoriais, e no período de um mês, em agosto, apresentámos um plano de reestruturação dos serviços de águas e saneamento em ‘alta’ (AdP) e em ‘baixa’ (municípios), assim como uma proposta de reforma da entidade reguladora. Tranquilizámos a troika e mobilizámos o sector para a reforma que acabaria por ser implementada pelo ministro do Ambiente seguinte”. Neste caso tratou-se do seu irmão, Jorge Moreira da Silva.

 

Expressa que “esta reforma era desejada pelo sector há 20 anos, mas nunca tinha existido coragem política para a executar. O Governo PSD/CDS teve a audácia para encontrar soluções exequíveis e a galhardia para as colocar em prática”. À semelhança de outras reformas e políticas, “o atual governo do PS reverteu esta reforma, sem estudar nem apresentar qualquer análise custo-benefício. Foi um retrocesso de décadas que todos os dias está a custar muito dinheiro”. Num registo otimista e com esperança, mas também realista, afirma que “estou certo que quando o CDS for novamente para o governo se irá corrigir esta situação, mas até lá os consumidores do interior do país continuarão a pagar pela água seis vezes mais do que se paga por exemplo no Porto ou Lisboa.”

Miguel

Moreira

da Silva

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"O CDS tem sido o líder da oposição. Assim sucedeu com Pedro Passos Coelho na liderança do PSD, tal como agora com Rui Rio. Assunção Cristas marca a agenda política e percorre o país a ouvir militantes e simpatizantes do CDS. O grupo parlamentar do CDS é o mais dinâmico, mas também o mais ponderado. Nuno Melo é o eurodeputado português com mais visibilidade em Portugal e na Europa.”

A conversa passou também por Lisboa. Moreira da Silva foi eleito vereador do CDS nas eleições autárquicas de 1 de outubro de 2017. Conta que “quando Assunção Cristas decidiu candidatar-se à CML, pediu-me que constituísse de imediato um grupo de trabalho tendo em vista a elaboração do programa eleitoral. Este grupo de trabalho era constituído por militantes e independentes, com vontade de desenhar uma estratégia moderna para Lisboa, assente num diagnóstico rigoroso da cidade e em políticas públicas inovadoras.”

 

Relata-nos também a metodologia que demonstrou ser bem-sucedida. Assim, “durante um ano eu reunia com a task-force da candidatura à segunda-feira à noite, onde para além de Assunção Cristas estava o João Gonçalves Pereira, o Diogo Moura, o Francisco Camacho e o Rui Lopes da Silva, e à quarta-feira fazia o follow-up com o grupo de trabalho. Ficámos muito orgulhosos do trabalho produzido.” Este materializou-se num conjunto de “noventa páginas revistas por todos e com capítulos que me enchem especialmente de orgulho, como o plano para a mobilidade sustentável (suportado nas TIC e em serviços inovadores) e as estratégias para a economia verde (ambiente e energias endógenas) e azul (rio e mar).” Elucida ainda que “nestes - e noutros eixos - foram realizadas simulações e análises custo-benefício que só encontro paralelo nas campanhas eleitorais dos países escandinavos.”

 

Ainda a propósito do programa para Lisboa relembra que “o CDS ousou apostar em áreas - ainda - pouco convencionais para o centro-direita, como a Cultura. Alertámos para o papel de corta-fitas do presidente da CML em eventos artísticos e para a falta de obra ou estratégia para a Cultura. No programa eleitoral apresentámos um plano estratégico para a Cultura sustentado numa visão empresarial, integrando: agentes públicos e privados; artistas e mecenas; talentos consagrados e emergentes; património cultural e natural; universidades e empresas; arte e ciência; mercado nacional e internacional.”

 

Por vontade mútua prosseguimos a conversa dentro da área da cultura. Diz Miguel que “é para mim evidente que um dos atributos mais relevantes da música clássica, das artes do espetáculo, do teatro e do cinema, consiste na formação e promoção do pensamento abstrato. Os concertos de música clássica não podem ser um monopólio das elites intelectuais. A ida a uma ópera ou a uma jam session tem de ser algo tão natural como a participação num festival de música pop.” Aponta ser “dever da CML promover a retirada de barreiras sociais à participação em concertos de música clássica ou de jazz, desde logo pela vertente educativa, nomeadamente através do reforço da divulgação das escolas de música e de bailado junto dos estabelecimentos de ensino do concelho.”

 

Posto isto, e “por outro lado, é fundamental posicionar Lisboa como um centro cultural e artístico vibrante, com prémios e bolsas de mérito internacionais, um regime fiscal adequado à criação artística e um plano de comunicação articulado com a estratégia turística.”

 

Aproveita a oportunidade para reafirmar o compromisso com o eleitorado e realçar a conquista alcançada “atualmente, como vereador do CDS na CML, tenho a preocupação de olhar para o programa eleitoral como partitura, mas também para o exercício do executivo liderado por Fernando Medina. As nossas ideias têm uma legitimidade enorme. Mais de 20% dos eleitores aprovou o programa da ‘Nossa Lisboa’ e estamos empenhados em honrar esse voto de confiança. O Dr. Fernando Medina fica muito perturbado com as nossas propostas. Perante a irascibilidade de quem governa a cidade, respondemos com a serenidade de quem tem ideias sólidas e uma cabeça de lista com ambição e energia inesgotáveis.”

 

Mudámos a agulha da conversa e falámos, em jeito de balanço, do congresso de Lamego, que teve lugar há pouco mais de um mês, e dos desafios que se avizinham para o CDS. Miguel Moreira da Silva afirma, com clareza, que “o CDS tem sido o líder da oposição. Assim sucedeu com Pedro Passos Coelho na liderança do PSD, tal como agora com Rui Rio. Assunção Cristas marca a agenda política e percorre o país a ouvir militantes e simpatizantes do CDS. O grupo parlamentar do CDS é o mais dinâmico, mas também o mais ponderado. Nuno Melo é o eurodeputado português com mais visibilidade em Portugal e na Europa.”

 

Contudo, faz questão de especificar que “ainda assim, não sou daqueles otimistas que acham que, por tudo isto que expus, não precisamos de melhorar e teremos um excelente resultado no próximo ciclo eleitoral. Não sou pessimista, mas gosto de me preparar para o pior cenário.” Com uma analogia particularmente interessante completa o raciocínio, “talvez seja deformação profissional… Se um engenheiro dimensionasse uma ponte a contar com o melhor cenário, algum dia a infraestrutura iria implodir. Com efeito, acho que temos de fazer mais e melhor. Uma mais eficaz oposição a este governo tem de assentar em ideias criativas e robustas para políticas públicas. Desse modo, defendo um Gabinete de Estudos cada vez mais profissional (ao estilo dos think tanks de Washington), com investigadores e uma direção executiva a tempo inteiro. Vão ser os nossos deputados a desenvolver um modelo econométrico para simular o impacto de novas políticas fiscais no Orçamento do Estado? A reforma do Estado não pode ser arquitetada em função do ‘achismo’ ou, em alternativa, subcontratando uma consultora de estratégia. O partido deve gerar competências internas em matérias nucleares para a ação política.”

 

No que diz respeito às relações do CDS com o PSD e a sua nova direção liderada por Rui Rio, bem como com outras forças políticas, o nosso convidado enfrenta a questão com tranquilidade e transmite-nos que “não obstante o CDS já ter realizado alianças com o PS, a história recente demonstra que o socialismo faz parte do problema e não da solução para os desafios do país. Com efeito, o CDS conseguirá encontrar pontos de convergência política com o PSD, o PPM, o MPT e outros movimentos humanistas e liberais que possam vir a mostrar-se credíveis. O CDS fez parte da coligação que suportou os mandatos do Dr. Rui Rio na CM do Porto. Durante esse período vivia no Porto e posso atestar o excelente trabalho desenvolvido por essa coligação. Por este motivo, mas também por razões histórico-políticas, o PSD é o parceiro natural do CDS no poder local e no governo.”

 

Deixa a seguinte ressalva que não é menos importante, “porém, o CDS deve concentrar-se no seu crescimento orgânico, isto é, no aumento do número de simpatizantes, militantes e eleitores. Na última década e meia, o CDS participou, por duas ocasiões, em governos de coligação com o PSD, com uma iníqua relação de forças e representatividade no conselho de ministros. A marca da governação do CDS tem sido percecionada de forma sectorial. Na agricultura (com Assunção Cristas), na diplomacia económica (com Paulo Portas), no Turismo (com Telmo Correia e Adolfo Mesquita Nunes). Para o CDS conseguir executar o seu ‘caderno de encargos’, não se pode conformar com 10% das preferências de voto.”

 

Já a caminho do fim da nossa conversa quisemos conhecer um pouco melhor o Miguel Moreira da Silva para além da vida profissional e política. Acede gentilmente e revela-nos que “sou o mais novo de 4 filhos. O Jorge é o mais velho, depois vem a Maria João (farmacêutica) e a Ana (pianista). Somos 3 engenheiros eletrotécnicos lá em casa, todos com o curso tirado na FEUP. O irmão mais velho do meu pai também se licenciou em engenharia eletrotécnica, mas estudou nos Estados Unidos. Esse meu tio foi administrador da Portugal Telecom (à época CTT-TLP) e fundador do Instituto de Desenvolvimento das Telecomunicações. Era um génio e recordo com saudade os almoços que tinha com ele, no Porto, onde num guardanapo de papel debitava equações matemáticas complicadíssimas. Aos 80 anos estava à procura da solução para a Teoria Unificada do Universo. Eu que era investigador de doutoramento ficava com vergonha (mas também com orgulho) daquela exibição intelectual.”

 

Reiterou ainda que “a política sempre fez parte das conversas de família. O meu pai apesar de se ter dedicado à criação e gestão de empresas de natureza industrial, esteve sempre muito ligado ao PPD-PSD, tendo participado em várias sessões de esclarecimento no período do PREC. Na altura era engenheiro e diretor industrial de uma conhecida empresa portuguesa (Reguladora) e sentiu de perto o extremismo que se viveu durante o “Verão Quente”. Esteve presente, aliás, num dos principais acontecimentos da época: o incêndio da sede do PCP em Famalicão.”

 

Faz ainda uma alusão especial em relação à figura materna, “a minha mãe nunca se filiou em qualquer partido político, mas provavelmente é quem gosta mais de política lá em casa. Apesar de sempre ter votado no PSD, encontra-se claramente à direita do meu pai e do meu irmão. Era a única apoiante de George W. Bush e de John McCain, na família.” Faz uma ligeira pausa e profere “Hoje reconheço que tinha razão.” Prossegue com a referência, “foi professora, mas o seu verdadeiro talento reside na diplomacia. Fico ainda hoje impressionado com a sua capacidade para promover consensos e liderar a família, de forma discreta, lúcida e serena. Arrisco dizer que o perfil diplomático do meu irmão Jorge advém da minha mãe. Os meus pais foram também um dos casais pioneiros das Equipas de Nossa Senhora, em Portugal. Essa vivência marcou-nos muito. A minha fé, sendo naturalmente um ato voluntário e genuíno, deve-se muito à educação familiar, com um especial papel da minha mãe.”

 

Perguntámos-lhe se tinha alguns tempos livres e como os ocupava. Responde,  “costumo dizer que enquanto os meus amigos jogavam golf eu fazia o doutoramento. Agora os meus tempos livres são dedicados à minha família. Sou casado e tenho uma filha de um ano, que me enche de orgulho. Quando fui pai já tinha uma bagagem de sete sobrinhos, mas só agora é que realmente percebo a bênção da paternidade”, num misto de satisfação e orgulho. “Tento realizar atividades de lazer, quando estas não retiram tempo de convívio familiar”, detalhando, “pratico desporto duas vezes por semana às 7h da manhã, para chegar a casa a tempo de assistir ao acordar da minha filha (um momento realmente mágico). Mantenho o hábito de jogar ténis com o meu irmão e com o meu sobrinho João (o meu pai já se retirou). Já ouvi dizer que a minha sobrinha Madalena também já está a jogar muito bem. O ténis sempre foi um motivo para reunião familiar, mas também para formação pessoal. Comecei a jogar aos cinco anos (com uma raquete oferecida pelo Jorge) e só depois de vários anos a jogar sozinho contra a parede (enquanto o meu irmão tinha aulas) é que conquistei a oportunidade de jogar com o treinador (que era um engenheiro amigo do meu pai e antigo campeão nacional de séniores).”

 

Mesmo na reta final, concluiu dizendo que “fui moldado por uma educação alicerçada na exigência e no trabalho. Não espero facilidades. Apenas condições para desenvolver o meu trabalho. Mas também não sou obcecado pelo sucesso. Sigo a máxima: ‘Se a entrega é total, a prova está ganha’.”