// AUTARCAS Rui Barreto exorta Cafôfo a seguir o seu exemplo _ // FUNCHAL

Rui Barreto, que foi eleito em julho passado para a liderança do CDS Madeira, deixou de ser vereador no Funchal, por considerar que não faz sentido ser autarca e candidato à presidência do Governo Regional.

 

Em julho passado, quando Rui Barreto foi eleito para liderar os centristas madeirenses, avisou que chegaria um momento em que teria de abdicar das funções de vereador, não executivo, na Câmara Municipal do Funchal.

 

“As duas funções não são incompatíveis, mas considero que liderar o CDS e ser candidato à presidência do governo regional, mantendo ao mesmo tempo a vereação no Funchal, seria faltar à verdade aos madeirenses”, interpreta Rui Barreto, desafiando o presidente da autarquia, Paulo Cafôfo, a seguir o exemplo.

 

Cafôfo, afirma o líder centrista, quebrou o contrato com os funchalenses a quem pediu o voto. “Nem um mês depois de ter sido eleito já era anunciado como candidato a presidente do governo regional”, critica, insistindo que o presidente do município, que foi eleito como independente à frente de uma coligação em que entram PS, Bloco, JPP e outras forças políticas, não tem condições para continuar.

 

 “Devia seguir o meu exemplo. Não pode continuar a gozar do privilégio de ser presidente da câmara para fazer campanha eleitoral, utilizando os meios da própria autarquia”, diz Barreto, apontando para as iniciativas partidárias que o autarca tem participado noutros concelhos, promovidas pelo PS.

 

Rui Barreto, que escolheu a última reunião de câmara para se despedir da autarquia, argumenta que ao concentrar-se apenas no Assembleia Regional, onde é deputado, e na liderança do partido vai produzir um trabalho de maior qualidade.

 

“É preciso ser claro e falar a verdade aos madeirenses, e é neste plano, no de candidato à presidência do governo regional, que eu me quero situar”, justifica, dizendo que por essa razão não faria sentido continuar a exercer funções autárquicas. “O partido tem pessoas capazes, que vão continuar o trabalho que tem sido feito pelo CDS na câmara municipal”, acrescenta, apontando para Luís Miguel Rosa, o número dois da lista, e que o irá substituir, e para Ana Cristina Monteiro, a número três, que vai também passar pelo lugar, em regime de substituição.

 

Rui Barreto acrescentou ainda que sai “honrado com o trabalho” feito, e insiste na mensagem ao presidente da autarquia. “Em apenas um ano, tenho mais para mostrar do que o presidente da câmara durante um mandato inteiro”. Mas agora, para o líder centrista, o tempo é de olhar para 2019. “O CDS quer ser uma alternativa à desilusão do PSD e à ilusão do Dr. Paulo Cafôfo”, explica, frisando que os centristas lideram a oposição na Madeira – são a segunda força política no parlamento regional – e têm por isso legitimidade para ambicionar vencer as próximas regionais.

 

“O CDS tem de se posicionar como uma alternativa e é para isso que vamos trabalhar”, afirma Barreto, que vai reassumir a liderança do grupo parlamentar, que deixou em Outubro passado, precisamente quando foi eleito vereador municipal.

 

O partido vai para o terreno com o objetivo de recolher contributos para o programa eleitoral. “O Conselho Económico Social vai desenvolver uma série de iniciativas chamadas ‘Ouvir a Madeira’, que visam estruturar um programa que seja claro e exequível”, adianta, avisando: “Não vamos ceder a tudo, nem dar tudo”.

 

 

 

﷯ folhacds 4 OUTUBRO 2018