// OPINIÃO PEDRO FERREIRA DE CARVALHO _ // Óh eleições, Óh eleições abstenção à vista! E a grande Lisboa!

Estamos em vésperas de eleições. No próximo ano entre 23 e 26 de Maio teremos a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu (Europeias) para um mandato de 5 anos e em meados de Setembro/Outubro a eleição da Assembleia da República (Legislativas) para um mandato de 4 anos.

 

A abstenção tem sido um problema que assola os actos eleitorais e o cumprimento da democracia. Há variadíssimas razões para não se ir votar, ou porque está sol e vou para a praia ou está a chover e fico em casa, ou estou contente e “deixa andar” ou não vale a pena lá ir pois é mais do mesmo, e ainda para mais com o aparecimento do novo fenómeno democrático “os geringonços”. Tudo isto são razões, mas quem assim se justifica, não tem razão nenhuma!

 

O voto devia ser obrigatório, (salvo raras excepções como motivos de doença ou ausência do País, que certamente com a digitalização dos actos eleitorais, essas falhas ao sistema, ficariam sanadas). No entanto, é imperativo começarmos desde já, e aqui as juventudes partidárias têm um papel fulcral, a incutir na mente do povo, que o voto acima de um direito, deve ser um dever. E um direito e dever não para qualquer cidadão que seja maior de idade, mas sim para quem tenha concluído a escolaridade mínima obrigatória, para que vote minimamente esclarecido, e num candidato, ideia ou proposta com que se identifique e não com base na filosofia do “quem dá mais”, por ter recebido uma caneta ou um chapéu de candidato x ou y. É que chapéus há muitos, candidatos válidos para levar este País que foi tão nobre e está tão pobre a bom porto, é que já não.

Como monárquico assumido e convicto que sou, muitos amigos perguntam-me o que leva um monárquico a votar nas presidenciais? “Não tem lógica nenhuma!” – dizem eles. Respondo que tem toda a lógica, pois o voto é um direito que me assiste e um dever enquanto cidadão e democrata (cristão). Já para não evocar todos aqueles que lutaram pela conquista deste direito, para que hoje em dia seja um direito intrínseco na figura de um cidadão de um Estado de Direito. Isto é prova da confusão que paira na cabeça dos eleitores. Uma coisa é abster-se, outra é votar em branco ou “anular” o boletim de voto. (Obviamente, nas presidenciais o meu voto é sempre igual, desenho uma coroa e escrevo Viva o Rei!). E faço-o pela lógica das minhas convicções, de que Portugal estaria bem melhor se tivéssemos uma monarquia constitucional, com órgãos políticos eleitos democraticamente, sendo a chefia de Estado assegurada por um Rei. Faço-o igualmente em jeito de protesto, por defender que a Família Real deve ter o seu lugar (e condignamente) no Protocolo de Estado, e por crer que numa próxima revisão constitucional deveria haver a liberdade de opção de alteração do actual sistema. Não é honesto não se perguntar qual a preferência dos portugueses sobre esta questão, quando até a própria república foi proclamada por golpe militar e nunca foi referendada.

 

No meu entender, o voto nulo representa a minha vontade em exercer o meu direito e dever enquanto cidadão, e a minha inconformidade com a actual realidade e opções que se me apresentam. É um sinal de que apesar de discordância, ou descrença na “oferta”, abdiquei da minha zona de conforto e fui votar (faça chuva ou faça sol).

 " No último acto eleitoral, a abstenção rondou os 45%. É imenso! É catastrófico. Por isso, em 2019 teremos que “mudar o disco” e dizer: Óh eleições, Óh eleições urnas à vista! Cientes de que em democracia, apesar do fenómeno “gerigonçal”, por um voto se ganha, por um voto se perde. "

). Por outro lado, o voto branco (apesar de sempre melhor do que a abstenção), não exprime ou reflecte a vontade do eleitor, pois a sua interpretação é susceptível de subjectividade. Tanto pode significar o conformismo que caracteriza a maioria de nós em relação às injustiças do sistema político, como pode significar a ausência de uma opção com a qual o eleitor se identifique e que vá ao encontro dos seus ideais.

 

No último acto eleitoral, a abstenção rondou os 45%. É imenso! É catastrófico. Por isso, em 2019 teremos que “mudar o disco” e dizer:

Óh eleições, Óh eleições urnas à vista! Cientes de que em democracia, apesar do fenómeno “gerigonçal”, por um voto se ganha, por um voto se perde.

 

No combate à abstenção, o CDS tem estado na linha da frente com diversas acções de sensibilização e formação política, das quais destaco a conferência Ouvir Portugal – “Representação Política”, que se realizou no passado dia 17 de Abril em Santarém.

 

Quando me foi formulado o convite para participar na Folha CDS, com tema livre, vi logo que seria um duplo desafio. Primeiro escrever algo de interesse comum com uma linguagem acessível, e segundo tentar dizer muito em poucas palavras, devido à limitação de texto. Assim, optei por abordar este tema da abstenção que penso ser uma preocupação partilhada por todos os que se predispõem a participar activamente na vida política também em jeito de voluntariado, para construir um País mais justo e uma sociedade mais equilibrada e harmoniosa.

 

Partilho igualmente convosco, uma ideia que me foi apresentada aquando do último conselho de administração do BECC-Business European Capital Cities da qual me orgulho de vice-presidir, em Paris.

 

Paris ambiciona criar uma zona “grande Paris – o cluster dos clusters”.

 

Mais não é do que redimensionar a sua área territorial, delegando competências a cada região e tendo uma via de comunicação comum entre todos.

 

Pensem no Distrito de Lisboa e imaginem um metro “expresso” à superfície que ligasse todos os Concelhos do Distrito. Em seguida, imaginem cada Concelho com uma área preferencial, por exemplo: Vila Franca de Xira – Indústria Aeronáutica, Cadaval – Indústria Téxtil, Amadora – Indústrias Criativas, Carregado – Logística, Alenquer - Indústria Alimentar, Mafra – Serviços Financeiros, Oeiras – Pesquisa e Inovação e por aí adiante. Com base neste esboço, acredito que seria possível combater os problemas da mobilidade, habitação, desertificação, demografia, e formação académica e profissional nesta nossa região da “Grande Lisboa”, reforçando a nossa dimensão e poder, tornando o Distrito mais atractivo, incrementando o seu poder negocial em relação a fundos comunitários para por exemplo, projectos de reabilitação urbana, ordenamento do território, e outras áreas tão ou mais importantes como a saúde e educação. Áreas estas onde encontramos uma vez mais o CDS na linha da frente, estudando e reivindicando os “mínimos” para um País europeu em pleno século XXI.

 

Obviamente que este tema requer muita discussão, reflexão, ponderação e deve sobretudo ser aberto a todas as partes envolvidas e interessadas. São ideias como esta que acabam também por, de alguma forma, contribuir para o combate à abstenção, suscitando o interesse e curiosidade e reforçando ambições do eleitorado, apresentando propostas de projectos audazes que têm como finalidade proporcionar uma melhor qualidade de vida, criando novos instrumentos de dinamização do nosso ecossistema.

 

 

﷯ folhacds 4 OUTUBRO 2018