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ADOLFO MESQUITA NUNES

VICE-PRESIDENTE DO CDS-PP

Sucesso, dizem eles

 

Diz este Governo que afinal era possível acabar com a austeridade e ao mesmo tempo ter contas públicas em ordem e o país a crescer e que os orçamentos de Centeno são de génio. Isso é falso.

 

Este Governo apanhou um défice de 3% e, em quatro anos, terá conseguido reduzi-lo para 0,2%. Sucede que, em tempos de bancarrota, fora dos mercados, com a troika e o memorando e com ratings de lixo, o Governo anterior apanhou um défice superior a 10% e reduziu-o para 3%. Trata-se de um esforço muito substancial que é sistematicamente ocultado. Se foi possível reduzir de 11% para 3% em quatro anos, por que razão não foi possível chegar a um superavit nos quatro anos seguintes?

 

Como se chegou a este défice de quase 0%? Foi com uma política de investimento público? Não, uma vez que esse investimento registou os valores mais baixos desde que há registos. Foi com uma aposta nos serviços públicos? Não, uma vez que não só se não investiu, como boa parte da despesa projetada fica cativada, atingindo-se aí valores recorde. Foi com redução da carga fiscal? Não, uma vez que a carga fiscal atinge máximos, dispersa é certo por impostos desassociados do rendimento. Estamos ainda, como é natural que estejamos, com austeridade. E se não nos livrámos dela agora, como poderíamos ter-nos livrado dela quando esbarrámos na bancarrota?

 

E vejamos o crescimento, com Portugal a ter vinte países da Europa a crescer mais do que nós. Estamos, portanto, a deixar escapar um conjunto de oportunidades que estão a ser aproveitadas por outros. Abrandámos por isso o ritmo de redução do défice e estamos muito longe de ter o crescimento que deveríamos ter. Este é o balanço deste Governo, bem longe da sua narrativa oficial.

EDITORIAL

NACIONAL _
AUTARCAS _

 

﷯ folhacds 29 OUTUBRO 2018