// OPINIÃO ISABEL TORRES _ // Com Costa, a palavra dada não é honrada

A vergonha de Tancos, a trapalhada em que esteve envolvido o ex-Ministro da Defesa, a posterior demissão, a remodelação de 3 ministros (é bom lembrar que António Costa tinha afirmado recentemente que mantinha todos os Ministros do seu Governo, classificando-os como um activo importante), o Infarmed que ia para o Porto (garantiu António Costa na AR) e já não vai, a contagem de tempo de serviço dos professores, que não vai acontecer como assumiu, a nomeação do Galamba para Secretário de Estado da Energia (surreal, mas os favores pagam-se), são apenas alguns, dos muitos exemplos da actualidade política recente, reveladores da índole e do carácter de António Costa.

 

Mas, o facto de ser madeirense, leva-me a escrever sobre dois temas vitais para nós: a mobilidade e a construção do novo Hospital da Madeira.

 

Decorre da Constituição que cabe ao Estado assegurar o princípio da continuidade territorial, para corrigir as desigualdades estruturais, a localização geográfica e a ultraperiferia das regiões autónomas, garantindo-se assim, as deslocações, através de subsídio de mobilidade e, consequentemente, os direitos de cidadania das suas populações.

Os preços exorbitantes que os Madeirenses são obrigados a pagar (o preço por milha mais caro praticado pela TAP) para saírem da Madeira por razões de saúde, de trabalho ou outras, garantem à companhia lucros anuais de 7M€. A recompra de uma parte do capital da TAP levada a cabo pelo Executivo socialista, apoiado num acordo de governo com o PCP e o Bloco, elevou para 50% a posição que o Estado detém. Segundo afirmações do PM esta reversão permitiu recuperar o controlo estratégico. É oportuno questionar, o que tem feito António Costa pelos Madeirenses, quando sentem a sua mobilidade limitada e comprometida pelos preços exorbitantes cobrados pela TAP, apesar do Estado ter injectado milhões de euros e de ter assumido maiores responsabilidades na capitalização e financiamento da empresa? A resposta é simples, nada, assobia para o lado.

 

Hospital Central da Madeira - a Madeira dispõe de duas unidades hospitalares - o Hospital Nélio de Mendonça (45 anos) e o Hospital dos Marmeleiros (87 anos). São estruturas disfuncionais, envelhecidas, geograficamente distantes, que apresentam elevados custos operacionais de funcionamento decorrentes da sua antiguidade, com uma capacidade de resposta muito limitada e com problemas estruturais graves que impossibilitam a sua expansão.

 " E, eis que, afinal a palavra dada não foi honrada pelo PM da Geringonça. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 132/2018, publicada em DR a 10 de Outubro, transforma o apoio financeiro de 50% em 30% e a promessa de 132 M€ passa a 96M€. E qual a razão para esta substancial diferença? "

A construção de um novo hospital é uma necessidade inadiável e incontestada que o CDS M tem sempre defendido sem hesitações. Irá proporcionar uma melhor qualidade na prestação dos cuidados de saúde, mais conforto aos doentes, maior segurança e eficiência dos serviços prestados.

 

Em Maio deste ano numa deslocação à Madeira o Primeiro-Ministro afirmou:

 

"Confirmamos aquilo que já tínhamos anteriormente acordado quanto à comparticipação da República na construção do novo hospital da Madeira. É fundamental trabalharmos em conjunto para que este projecto possa ser classificado como de 'Projecto de Interesse Comum', o que vai permitir ao Estado fazer aquilo que é correto, que é pagar em 50% das despesas de construção e do equipamento" do novo hospital, que de acordo com o cronograma apresentado pela região prevê um custo total de 314 milhões de euros"....."será pago e começará a ser inscrito no Orçamento do Estado a partir de 2019, criando-se as condições para que, ainda este ano, possa ser lançado o concurso público internacional". Tudo bem encaminhado e os socialistas regionais a agitarem a bandeira da vitória.

 

 

E, eis que, afinal a palavra dada não foi honrada pelo PM da Geringonça. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 132/2018, publicada em DR a 10 de Outubro, transforma o apoio financeiro de 50% em 30% e a promessa de 132 M€ passa a 96M€. E qual a razão para esta substancial diferença? De forma ardilosa, pouco séria e sem qualquer pingo de decência e de escrúpulos, desrespeitando os Madeirenses e tratando-nos como se fossemos de uma “casta” menor, António Costa “Gerigonçiano” passou uma esponja na Autonomia e recorreu à denominada “engenharia financeira” perversa e criativa. Como? Dispôs do património que é da Região, procedeu à avaliação dos dois hospitais velhos, atribuiu-lhes um valor, considerou como adquirida a sua rentabilização/alienação, deduziu ao valor total da obra e dividiu o remanescente por dois. Pasme-se, os socialistas regionais aplaudiram os 30% contemplados no OE, os mesmos que se vangloriaram quando Costa anunciou o apoio de 50%. Quanto ao candidato independente (?) a Presidente do Governo Regional apoiado pelo PS, não conhecemos o seu grau de satisfação, pois ainda não se manifestou.

 

São conhecidos os seus dotes de político habilidoso e ardiloso, mas não cumpriu as suas promessas e usurpou os seus poderes, pois não pode decidir sobre património que é da Região. Tudo isto revela uma enorme falta de carácter e de dignidade, não queremos caridade, queremos ser tratados com respeito! Somos Portugueses que vivem numa Região Autónoma que contribui para que Portugal tenha a 3ª maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia e a 11ª do mundo.

 

﷯ folhacds 29 OUTUBRO 2018